O retículo endoplasmático como organela de escolha do vírus da dengue para sua replicação: importante mecanismo de evasão do sistema de defesa do organismo!

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Créditos da imagem: Reid et al., 2017.

Um novo estudo revela como o vírus da dengue consegue reproduzir-se em uma pessoa infectada sem desencadear as defesas normais do corpo, ou seja, uma resposta imune. Os pesquisadores da Duke University relatam que o vírus da dengue realiza tal efeito, utilizando uma estrutura das células para seus próprios propósitos.
De forma inteligentíssima e extremamente eficiente, considerando um genoma de apenas 10 kilobases, o vírus utiliza o retículo endoplasmático da célula hospedeira como sítio para a produção de suas próprias proteínas, evitando assim o citosol. Toda esta ação ocorre na superfície do retículo endoplasmático. Todo o genoma do vírus da dengue é traduzido de uma só vez, e depois cortado em dez proteínas separadas.
A adição de um produto tão complexo à carga de trabalho do retículo endoplasmático tipicamente desencadearia seus sensores de estresse. Mas os pesquisadores descobriram que o modelo de RNA viral foi traduzido em proteína de maneira tão lenta, ineficiente e “despreocupada”, que não ativou esses alarmes. Desta forma, o vírus é capaz de criar centenas de cópias antes de gerar a morte da célula. Curioso, não?

Veja a pesquisa completa recentemente publicada no Journal of Virology:

Dengue virus selectively annexes endoplasmic reticulum associated translation machinery as a strategy for co opting host cell protein synthesis