A polarização das células intestinais também ocorre a nível de mRNA e ribossomos.

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Créditos da imagem: Moor et.al.2017

Toda vez que ingerimos alimentos, os enterócitos, células de absorção do intestino localizadas na superfície luminal do orgão, devem intensificar sua atividade de forma súbita e dramática. De acordo com um novo estudo do Weizmann Institute of Science, publicado na Science, este aumento de atividade ocorre de forma curiosa. Por exemplo, uma empresa que necessita iniciar rapidamente a produção após um período de recessão, deve tomar decisões instantâneas.

Estas podem envolver o lançamento instantâneo de todos os recursos para impulsionar a produção com os equipamentos já existentes, ou então, primeiro, gastar todos os recursos para equipar novamente a empresa. Este último pode parecer um método de produção menos eficiente, mas na verdade pode, em alguns casos, acelerar consideravelmente as coisas. E é este o método adotado pela célula. A parede intestinal é uma camada única de células alongadas que entram em contato com alimentos em um lado (luminal) e com a corrente sanguínea no outro. Assim, eles absorvem nutrientes de um lado e os liberam no sangue no outro.

Os cientistas descobriram que os dois lados da célula diferem na composição do RNA mensageiro, ou mRNA: cerca de 30 por cento dos genes expressos nos intestinos produzem mRNAs que aparecem em um lado da célula ou no outro. Os dois lados também diferiram no conteúdo das máquinas de fabricação de proteínas chamadas ribossomos: o número de ribossomos no lado luminal era o dobro do lado da face do sangue;

Como resultado, a produção de proteínas nesse lado foi muito mais eficiente. Os cientistas descobriram ainda que sempre que o alimento entra nos intestinos, as células do revestimento intestinal respondem imediatamente aumentando a produção de ribossomos, particularmente na parte voltada para o lumen. Para este fim, a célula despacha para a área luminal um grande número de mRNAs que carregam o código genético para fazer ribossomos.Esta parte da célula torna-se então uma fábrica de produção intensiva, gerando as proteínas necessárias para o processamento dos alimentos.

Mais detalhes podem ser encontrados no paper em anexo:

Global mRNA polarization regulates translation efficiency in the intestinal epithelium